

NINGUÉM FAZ FUNK SÓ PORQUE PREFERE
O que um país deixa de conhecer sobre si mesmo quando criminaliza uma de suas maiores expressões culturais ao mesmo tempo em que lucra com ela?
Neste ensaio de sociologia, filosofia e história cultural, Larissa Cordeiro toma o Funk Consciente Paulista como ponto de partida para investigar as relações entre racismo, violência, memória, afeto e produção de conhecimento nas periferias brasileiras.
Avisa que é o Funk!
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"As universidades, dentro deste sistema-mundo, são espaços historicamente negados aos povos originários e afropindorâmicos, construídas para atender aos interesses do povo eurodescendente, herdeiros de escravocratas e das estruturas de privilégio social que o colonialismo gerou. Nelas se formaram gerações desses grupos, com sujeitos destinados a ocuparem cargos de decisão, prestígio, comando e liderança, tanto na política quanto no mercado de trabalho, escancarando como a educação se consolidou como instrumento de poder e controle neste país.
Dito isso, me refiro à ciência como “aquilo que nos habituamos a chamar de ciência” porque quem decide e define o que é ciência, não somos nós - sequer brasileiros quem dirá, negros e indígenas. Se fosse, o Brasil produziria teoria e não “pensamento social brasileiro”; artistas negros e indígenas produziriam arte contemporânea e não arte “afro-brasileira”, “arte naif” e “arte-indígena”; intelectuais africanos seriam lidos como filósofos e não como “pensadores africanos”; o funk, o samba e o rap seriam compreendidos como produção estética e não apenas como “cultura periférica”; terreiros seriam reconhecidos como espaços de produção de ciência e tecnologia ancestral, e não reduzidos ao campo da crença ou do folclore; e povos originários seriam reconhecidos como produtores de ciência ambiental e cosmológica, não apenas como “saberes tradicionais”.
Este é o problema da criação filosófica do sujeito universal, que vamos ver adiante. "
RACISMO, EPISTEMOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS NO FUNK





